sábado, 19 de agosto de 2017

O nº 02 de Dylan Dog da Editora Lorentz está chegando!

Depois de uma excelente edição de estreia, com material e tratamento gráfico de alta qualidade e uma das melhores histórias do Investigador do Pesadelo já publicadas no Brasil, vem aí o nº 02 de Dylan Dog da Editora Lorentz!


quinta-feira, 20 de julho de 2017

01 – Dylan Dog – Retorno ao Crepúsculo (Lorentz)





Editora: Lorentz
Autores: Tiziano Sclavi (texto), Giuseppe Montanari (desenhos) e Ernesto Grassani (arte-final)
Preço: R$ 16,00
Número de páginas: 100
Data de Lançamento: Abril de 2017

Sinopse: Dylan Dog aceita a missão de levar Opal, a filha de seu desafeto, Doutor Hicks, até a misteriosa cidade de Inverary, na expectativa de que ela possa ser curada do bizarro mal que a aflige. Uma vez no local, o Investigador do Pesadelo se vê novamente mergulhado na “Zona do Crepúsculo”, uma dimensão sem limites de espaço e tempo, onde antigos segredos podem vir à tona e a loucura está sempre à espreita. 

Crítica:

Como edição de estreia, a recém-criada Editora Lorentz, de Santa Maria – RS, teve a feliz ideia de trazer de volta às bancas o nosso estimado Investigador do Pesadelo, muitos anos depois de a editora Mythos ter abandonado sua publicação regular. E isso foi feito em grande estilo. Basta pegar o exemplar em mãos para perceber que a Lorentz fez um trabalho digno de fã para fã, incluindo no seu trabalho tudo que havia sido feito de melhor pelas editoras anteriores que publicaram o personagem no Brasil: utilizou o formato italiano com capa plastificada da Record, o miolo com papel offset branco da Conrad e ótimo trabalho de tradução e revisão, como o da Mythos.

Em relação à história, é difícil classificá-la de outra forma que não seja essa: genial. Tudo que já havia contribuído para que a primeira passagem de Dylan Dog por Inverary fosse configurado em uma excelente aventura – abordada na edição de nº 07 da Record, intitulada “A Zona do Crepúsculo” – aparece novamente aqui, só que elevado a outro patamar de brilhantismo.

Temos uma belíssima passagem metalinguística envolvendo o trabalho do icônico escritor Edgar Allan Poe, abordagens de diferentes vertentes ocultistas entremeando o roteiro, como Mesmerismo e Hermetismo – das quais Sclavi se revela profundo conhecedor – além da participação pontual de personagens clássicos, como Xabaras e Morgana. Tudo isso em meio a um clima caótico de mistério e loucura, que em vários momentos deixa o leitor desnorteado, mas sempre instigado para seguir a leitura em busca do desfecho da aventura.

Com toda certeza, o que mais me agradou nessa edição foi o fato de que ela funciona como uma espécie de chave interpretativa para decodificar os vários elementos tão presentes no universo de Dylan Dog e que muitos leitores consideram “confusos”, como dimensões paralelas, entrecruzamentos espaço-temporais e realidades alternativas. A explicação definitiva está aqui, onde se evidencia que o maior agente propulsor da odisseia humana é também o seu único limite: a mente.

Para engrandecer ainda mais esse trabalho, os belos desenhos são de ninguém menos que a dupla Giuseppe Montanari e Ernesto Grassani, meus ilustradores favoritos entre os que costumam se dedicar ao Investigador do Pesadelo.

A única ressalva que vejo necessidade de fazer é a constatação de que essa história só pode ser apreciada em toda a sua grandeza mediante a leitura anterior da aventura publicada no nº 07 da editora Record. É claro que o leitor eventual pode curtir essa edição sem conhecer a primeira passagem de Dylan Dog por Inverary, mas, na minha opinião, a experiência com o aprofundamento dos elementos mais marcantes do fantástico universo da Zona do Crepúsculo não será tão rica.

Vale destacar ainda que a edição traz também dois textos complementares do tradutor Júlio Schneider, que se por um lado não trazem nada de novo aos iniciados no universo do Investigador do Pesadelo, por outro ajuda os leitores neófitos a se situarem em relação à trajetória editorial do personagem no Brasil e no exterior.

Que venha logo o nº 02 da Editora Lorentz!    
     
Classificação: 5

segunda-feira, 10 de julho de 2017

02 – Dylan Dog – O Despertar dos Mortos-vivos (Conrad)




Editora: Conrad
Autores: Tiziano Sclavi (texto) e Angelo Stano (desenhos)
Preço: R$ 4,50 (preço da época)
Número de páginas: 100
Data de Lançamento: Novembro de 2001

Sinopse: Após ver seu marido se transformar em zumbi e posteriormente manda-lo de volta ao mundo dos mortos cravando-lhe uma tesoura na cabeça, Sybil Browning decide contratar Dylan Dog, o mal afamado “Investigador do Pesadelo”, para que ele ajude a descobrir o que, de fato, aconteceu com o seu cônjuge.

Crítica:

Essa edição nº 2 da série da Conrad Editora é, na verdade, uma republicação, uma vez que a aventura de estreia de Dylan Dog já havia sido lançada aqui no Brasil uma década antes pela Record, que levou às bancas as histórias do Investigador do pesadelo em ordem cronológica, de acordo com as publicações originais italianas. Como já resenhamos toda a saudosa série da editora carioca, seria redundante postar novamente nossa análise referente ao roteiro e aos desenhos da aventura, mas, se você ainda não leu, pode fazer isso clicando AQUI.

Vamos então destinar esse espaço para falar um pouco sobre os aspectos físicos dos exemplares lançados pela Conrad. De antemão, devo dizer que, assim como ocorreu ao escrever a crítica da edição anterior, acredito que minha opinião sobre esses quesitos é passível de causar polêmica entre alguns eventuais leitores. Isso se refere ao fato de que conheço vários fãs que consideram a série da Conrad como sendo a que melhor tratamento gráfico deu às publicações do personagem, ao que eu discordo, muito embora respeite a opinião de quem pensa diferente.

Em primeiro lugar, se comparado ao tradicional “formatinho” adotado pela Mythos em suas publicações posteriores do personagem e ao clássico formato italiano, usado pela Record, este modelo escolhido pela Conrad – com 13,5 x 20,5 cm – é o que menos me agradou. A razão para isso é meramente o gosto pessoal mesmo, talvez motivado pela percepção de que este formato, ao ser manuseado durante a leitura, tende a ficar marcado mais facilmente do que os das outras duas editoras.

Provavelmente isso se deve também ao material utilizado na capa. A editora Mythos utilizava em suas capas um papel couché de baixa gramatura que, apesar de ser fácil de rasgar, pela sua maleabilidade acabava não amassando tão facilmente. As capas plastificadas da Record eram ótimas, não só em beleza, como também em durabilidade. Quanto às edições da Conrad, apesar de utilizar nas capas um papel de maior gramatura do que o couché da Mythos, percebi que os meus exemplares estão com muito mais marcas de manuseio, embora o cuidado destinado a todos os volumes das coleções é rigorosamente o mesmo. Além disso, por alguma razão que não sei explicar, com o passar do tempo a tinta da capa tende a ir descascando, principalmente na lombada. Reparei isso não só nos meus exemplares e nos de alguns amigos como também em fotos de edições à venda em sebos e sites de leilões na internet.


A moral da história é que, apesar do material de qualidade aparentemente inferior das edições da Mythos, e do fato de que a série da Record é uma década mais antiga, ainda assim ambas as coleções se conservaram em melhor estado do que os exemplares da Conrad, embora – repito – o zelo dedicado a todas sempre foi igual.

De positivo temos o papel offset branco utilizado no miolo, que, ao contrário do material usado pelas outras editoras, não costuma amarelar com o passar do tempo.


Se somarmos a isso a capa de gosto duvidoso de Mike Mignola – conforme já explanamos na resenha anterior – eu concluiria dizendo que neste nº 2 da Conrad temos uma história muito boa em uma edição nem tão boa assim.

Classificação: 4

segunda-feira, 3 de julho de 2017

04 – Dylan Dog – O Fantasma de Anna Never (Record)




Editora: Record
Autores: Tiziano Sclavi (texto), Corrado Roi (desenhos)
Preço: Cr$ 990,00 (preço da época)
Número de páginas: 100
Data de Lançamento: Novembro de 1991


Sinopse: Dylan Dog está tentando ajudar seu amigo Guy Rogers, um ator de cinema decadente e alcoólatra que vem sofrendo com terríveis pesadelos, onde são recorrentes brutais cenas de mutilações e assassinatos, além da suposta presença do fantasma de uma atriz principiante ainda viva, chamada Anna Never. Enquanto o Investigador do Pesadelo inicia um romance com a própria Anna, o estado mental de seu amigo Guy vai piorando progressivamente, se tornando cada vez mais difícil distinguir entre o que é pesadelo, loucura ou manifestação do sobrenatural. 


Crítica:

Nesta edição, temos pela primeira vez uma estrutura narrativa que posteriormente viria a se tornar recorrente nas aventuras de Dylan Dog, e consiste em propor ao leitor o desafio de tentar entender se os fatos que ele acompanha fazem parte da realidade objetiva da história ou se configuram apenas em delírios da mente de algum personagem. Neste caso específico, a mente em questão é a do ator Guy Rogers, e o foco da ação está centrado na busca de Dylan por respostas que levem a concluir se o amigo tem mesmo vivenciando experiências sobrenaturais ou se apenas se vê às voltas com problemas mentais.

Se desenvolvendo em um ritmo bem mais lento do que na alucinante edição anterior, o marasmo da investigação acaba sendo contrabalanceado com as tiradas de Groucho, que aqui parecem mais inspiradas que de costume, contando inclusive como boas gags visuais, como na cena da queda do cenário, no estúdio cinematográfico. Além disso, a própria Anna Never contribui com a comicidade geral através do seu jeito atrapalhado e desastrado, deixando claro que, como atriz, se daria muito bem no ramo das comédias.

Provavelmente o ponto alto dessa história seja a reflexão final acerca do velho paradoxo que contrapõe “determinismo X livre-arbítrio”, aonde vem à tona o questionamento de até que ponto somos realmente livres para tomarmos nossas decisões e a partir de onde nossas vidas seguem um rumo já traçado pelo destino. Também temos nessa aventura um primeiro flerte, ainda que de leve, com a ideia de dimensões paralelas e realidades alternativas que ocasionalmente se entrecruzam, algo que viria a ser explorado com mais profundidade em edições futuras.

Importante mencionar também a bela arte de Corrado Roi, com desenhos detalhistas e traços que conferem expressividade e realismo às fisionomias dos personagens. 

Em última análise, “O Fantasma de Anna Never” certamente não é a melhor aventura do personagem, mas ganha pontos pelo final intrigante e por evidenciar um nítido esforço da parte do autor em desenvolver uma história que foge do convencional, abordando elementos consagrados no imaginário fantástico das histórias de terror, como fantasmas e psicopatas, mas sem se render às soluções simplórias e aos clichês.

Classificação: 3   

01 – Dylan Dog – Johnny Freak (Conrad)





Editora: Conrad
Autores: Mauro Marcheselli e Tiziano Sclavi (texto) e Andrea Venturi (desenhos)
Preço: R$ 4,50 (preço da época)
Número de páginas: 114
Data de Lançamento: Outubro de 2001

Sinopse: Dylan Dog encontra um garoto mudo que teve as pernas amputadas e vários órgãos retirados do seu corpo. Enquanto procura fornecer toda a assistência possível a Johnny – como passou a ser carinhosamente chamado – o Investigador do Pesadelo tenta descobrir algo sobre seu misterioso passado, mas há alguém disposto a tudo para que a terrível verdade não venha à tona.

Crítica:

Depois de um hiato de vários anos longe das bancas brasileiras, Dylan Dog voltou a ser publicado em outubro de 2001 pela Conrad Editora. Para testar a receptividade do público leitor ao Investigador do Pesadelo, a editora paulista decidiu colocar no mercado uma série fechada de seis edições escolhidas entre as originais italianas pelo próprio criador do personagem, Tiziano Sclavi, para ser lançada nos EUA através da Dark Horse Comics, o que aconteceu em 1999. Em uma tentativa de chamar a atenção do público norte-americano, as capas dessas seis edições receberam novas versões, desenhadas pelo aclamado Mike Mignola, conhecido por muitos trabalhos com personagens da Marvel, da DC, e principalmente por ser o criador do personagem Hellboy. A série brasileira foi então publicada tal e qual a versão dos EUA.

Não abordarei aqui os aspectos físicos das publicações da Conrad, pois farei isso na próxima resenha, uma vez que a edição de nº 2 é uma republicação de uma história já lançada anteriormente pela Record, e como já falei sobre o enredo naquela crítica, poderei então abordar outros tópicos. Vou me limitar a dizer que não gostei das capas do Mignola, assim como não gosto dos desenhos dele – que me parece às vezes tenderem para o caricato – em qualquer outro de seus trabalhos. Obviamente, isso é meramente uma questão de gosto pessoal, subjetiva, tanto que várias pessoas acharam essas capas muito interessantes, mas eu prefiro as originais, sem sombra de dúvidas.

Para tratar do roteiro, iremos entrar em uma área que pode ser considerada, no mínimo, polêmica. Digo isso porque já vi em fóruns de internet e em resenhas de outros autores muita gente rasgando elogios a “Johnny Freak”, alguns até dizendo que se trata de uma das melhores histórias do Investigador do Pesadelo, enquanto que, de minha parte, respeito a opinião de quem pensa assim, mas discordo totalmente e vou explicar o porquê.

Em primeiro lugar, devemos esclarecer que não há nenhum elemento sobrenatural nesta história. Isso não é um problema, pois há varias outras aventuras de Dylan Dog que também são assim e funcionam perfeitamente como entretenimento de qualidade. Porém, nesses casos, onde tudo transcorre no “mundo real” a verossimilhança precisa ser minimante convincente para que a suspensão da descrença do leitor funcione, e aqui isso passa longe de acontecer. Em uma cidade com vários milhões de habitantes, como Londres, pessoas que até então não se conheciam, passam a se encontrar por “coincidência” em cada esquina. Coisas do tipo: a enfermeira de Johnny, que é affair de Dylan, é também noiva justamente do cara com quem ele brigou no parque, que está atrás de Johnny, que está internado justamente no hospital da noiva, e todos se encontram seguidamente, nos mais diversos pontos da cidade, e por aí vai... Não deixa de ser um tanto forçado. Sei que isso pode parecer rigor excessivo com um gibi, mas as histórias do Investigador do Pesadelo sempre primaram por se esmerar até nos mínimos detalhes. 

Mas, não é só isso, há outras cenas que são patéticas, para não dizer outra coisa. Começamos com o fato de que quem bate à porta de Dylan para pedir ajuda no início da história é... um cachorro! Isso mesmo, um cachorro! Depois temos aquele momento forçadíssimo no parque onde Dylan decide fingir que tem uma arma no bolso do casaco e... bem, melhor nem comentar a maneira com que a questão foi solucionada. Mas, o pior de tudo mesmo foi aquela sequência em que Johnny está no seu quarto no meio da noite, entristecido, e então decide sair correndo e pular na cama de Dylan, em algo parecido com aquelas cenas de filmes infantis (ou comerciais de margarina) em que os pais ficam sorrindo na cama com o filho deitado entre eles, só que nesse caso Dylan e Dora estavam nus e havia acabado de transar! Confesso que fique torcendo para que, ao virar a página, ficasse claro que tudo não passava de um sonho ou imaginação de algum personagem, mas não, era real mesmo.

Aqui também é importante ressaltar que essas cenas não foram desenvolvidas em tom de comédia, pois seriam até aceitáveis se tivessem a intenção de se calcar no humor negro – que funciona muito bem em outras histórias – mas eram para ser sérias, o que, obviamente, não funciona direito.

 Contudo, o pior mesmo é o pretenso tom de dramaticidade que percorre toda a história. Ao que consta, o roteiro foi inspirado por um acontecimento real, o que por si só já daria um ar dramático ao enredo. Além disso, todas as aventuras de Dylan Dog são perpassadas por certa melancolia, pois o próprio personagem é melancólico. Porém, nessa edição, o tom foi totalmente extrapolado, descambando para o dramalhão com ares de novela mexicana, com direito até a “revelações bombásticas” do tipo, quem é pai de quem, quem é irmão de quem, etc.

Eu sinceramente prefiro creditar tudo isso na conta de Marcheselli, pois, pelo que se sabe, ele foi o roteirista principal desta edição, contando apenas com colaborações pontuais de Sclavi. Não é que considere essa aventura totalmente ruim, mas sem dúvida me parece uma das mais fracas entre todas que já li do personagem e, por mais que me esforce, não consigo encontrar as virtudes que fizeram tantos leitores se declararem fãs de “Johnny Freak”.


Como se não bastasse, o trabalho de tradução e revisão me pareceu particularmente problemático nesta edição. Não gostei do fato de várias expressões terem sido mantidas em inglês, pois, apesar de não serem muito relevantes aos diálogos – “Right, right!”, “Goddamnit!”, etc – me parecem soar deslocadas e desnecessárias. Também me desagradou o uso de palavrões, pois, não querendo ser moralista e mesmo reconhecendo que esse tipo de leitura é recomendado para um público mais maduro, creio que as palavras de baixo calão não combinam com o nível dos diálogos tão marcantes ao universo dos personagens bonellianos em geral. Quanto à revisão, parece que faltou um pouco de atenção em alguns momentos, como por exemplo, no que se refere ao cachorro amigo de Dylan, que em certas passagens tem seu nome grafado como “Rosnento” e em outros como “Rosnante”.

Como se para combinar com todo o restante da edição, os desenhos de Andrea Venturi parecem igualmente irregulares, sendo bem detalhados e esmerados em alguns momentos e pendendo para algo muito próximo do cartunesco em outros.

De positivo, temos bons textos complementares do editor Cassius Medauar e de jornalistas e especialistas em HQs como Sidney Gusman, Cleiton Campos, Ivan Finotti e Julio Schneider, que ajudam a contextualizar as características do personagem e sua trajetória editorial até então, tanto na Itália quanto no Brasil.

Por fim, posso dizer com toda certeza que, se esta tivesse sido a primeira edição de Dylan Dog que eu tivesse lido, seria muito grande a chance de ter desistido de acompanhar as aventuras desse maravilhoso personagem. Felizmente, não foi assim que aconteceu. Contudo, fica o questionamento: que critérios teriam sido utilizados para que, entre tantas histórias geniais do Investigado do Pesadelo, justo esta tão problemática tivesse sido escolhida para constar nessa série? E as outras cinco edições, são do mesmo nível? Desenvolveremos essa análise nas próximas resenhas.  
       
Classificação: 2,0